8 de ago de 2013

Smorgasburg, a feira gastronômica de Williamsburg

O slogan da Smorgasburg é claro: No dogs! E, de fato, não é possível encontrar nenhum cachorro quente pelas muitas barracas que se instalam às margens do East River nos finais de semana. Sim, do lado de lá de Manhattan, no Brooklyn. A feirinha é uma das sensações de NY no momento e tem de tudo: comida boliviana, indiana, vietnamita, azeites e condimentos, pães caseiros, sanduíche de sorvete, iogurtes, ostras...
Todos os finais de semana, cerca de 100 produtores locais se dividem entre as feirinhas montadas em DUMBO (aos domingos) e Williamsburg (aos sábados; sempre das 11 às 18 horas). O ambiente é familiar, mas a concorrência é grande. Nós que fomos com crianças chegamos cedo, por volta do meio dia, e foi ótimo. Deu para provar tudo o que queríamos, sem muvuca ou fila.
A graça consiste em se abastecer na barraquinha que mais te apetecer, pegar sua comida e se sentar na grama ou nas poucas mesas de picnic disponíveis para degustar o prato e a vista de Manhattan. (E repetir o trajeto quantas vezes for capaz!) Um passeio dos mais simples, mas muito gostoso. Por cruzar o rio, pela vista e por degustar comida de qualidade a preços honestos.
No meio da feira também há, dentro de um cercadinho, um produtor artesanal de cerveja. Para pular a cerca, claro, estamos nos Estados Unidos, é preciso apresentar a identidade e não estar acompanhado de dois carrinhos - e de duas crianças. Fica para a próxima! 
O tom entre os participantes é bem tranquilo, como é o bairro. Vou ser obrigada a reproduzir aqui a descrição do New York Times, que é boa demais! Smorgasburg é a Woodstock da comida! Não preciso dizer mais nada, né? Mas se ficou reticente com o título, saiba que é tudo organizado e limpinho! =) 
Solícito e simpático, o produtor de ostras explicou detalhadamente a origem de suas iguarias e como elas se diferenciavam. Eu não como ostra, mas o marido ama e degustou as três opções, cada uma de um canto do país. Adorou, mas, segundo ele, todas têm gosto de... ostra!
Tem opção para todo mundo, e tudo com uma pegada natureba. Eu fui de sanduba indiano, delicioso!, com suco de manga. Lorena quis provar a "raspadinha" e até Anita curtiu seu iogurte caseiro.
O sucesso da feira, que já está no seu quinto ano, fez com que ela se expandisse além-Brooklyn. É possível encontrar estandes itinerantes por Manhattan, como os montados no festival SummerStage, no Central Park. Quem quiser conhecer a feira gastronômica em dias de semana, a Smorgasburg também montou containers na South St. Seaport, uma área devastada pelo furacão Sandy (sim, elA fez muitos estragos!) que está sendo revitalizada. Mas, nos dois casos, são poucos estandes e opções, que fique claro.
Quem curte cacareco também pode visitar outra feira no Brooklyn, também outro sucesso, a Brooklyn Flea. São mais de 250 expositores de roupas, bijuterias, móveis, louças, bicicletas, bugigangas e quinquilharias mil. Eu não fui, para poupar a minha rinite (hehe) e o risco do excesso de bagagem!

1 de ago de 2013

NY com (e sem) crianças: Brooklyn e Williamsburg

Na minha última viagem para NY, que fiz com a família toda, meu principal objetivo era explorar além-Manhattan. Não que Manhattan não seja o máximo, é! Mas em volta há o Hudson e o East River e um monte de barco indo e vindo, há de ter vida interessante nas margens de lá, certo?
 
Certíssimo! Comecei a viagem repetindo o passeio nível básico além-Manhattan - e um dos meus preferidos -, atravessar a ponte do Brooklyn caminhando em direção a Manhattan. Já escrevi sobre o trajeto aqui no post de três passeios de verão em NY, mas, desta vez, não quis ir de metrô, mas de barco. E, acredite, é muito simples e tranquilo - mesmo com duas crianças. 
Diferentemente daqueles barcos de turistas que se pega ao sul da ilha e são abarrotados de máquinas fotográficas, os barcos do East River Ferry são, pelo menos na minha experiência, vazios. São sete paradas (veja o mapa): incluindo em Manhattan o píer da rua 34 e o píer 11/Wall Street e as paradas em Williamsburg (um bairro do Brooklyn) e Dumbo, a região que fica entre as pontes do Brooklyn e Manhattan. Você usa o barco como meio de transporte (US$ 4, independente de onde você desça) e ainda ganha uma vista incrível de Manhattan, das pontes e, sim, da Estátua da Liberdade. 
E o que tem para fazer lá? Muitas coisas! Em Williamsburg, o pedaço mais descolado do momento, tem uma feirinha gastronômica imperdível aos sábados, e, a caminho da Bedford Street e na própria rua, uma série de lojinhas, cafés e malucos belezas. Músicos e artistas alternativos pelas ruas; nos muros, graffitis aos montes. 
Não é um lugar arrumadinho, nas redondezas há alguns prédios bem caídos, mas, no meio deles, ótimas descobertas como a lojinha infantil incrível Sweet William, a de utensílios para cozinha Whisk e o Aurora Ristorante. Tipo de ambiente que eu adoro!
Mas se você quer uma desculpa mais convincente para sair de Manhattan com as crianças é melhor se concentrar em Dumbo (Down Under the Manhattan Bridge Overpass), a quinta parada do barco a partir da 34 St. Ao descer do barco você já vai ver o Brooklyn Bridge Park. Próximo à ponte, no Píer 1, há um parquinho pequeno e uma lanchonete que serve sanduíches, saladas e bebidas.
Dá para caminhar para o sul e curtir as outras áreas do parque, o que não fiz, ou então ir na direção da Manhattan Bridge. Neste curto trajeto você vai ver o River Cafe, um dos lugares mais românticos de NY (e onde passei um daqueles momentos mágicos da vida; um jantar com o skyline de Manhattan, um cantor cantando New York, New York entre outros standards e neve! O único problema é que não era um jantar romântico, mas um jantar de trabalho e eu estava a milhas e milhas distante do meu amor! rs)
Bom, ali também tem a Brooklyn Ice Cream Factory e a Pizzaria Grimaldi's, famosa pela pizza de massa fininha e pelas filas. Fomos durante a semana e estava tranquilo - Anita comeu um pedaço de pizza inteiro e Lola, dois -, mas, no sábado, quando voltamos, a fila era mesmo desanimadora. Bem debaixo da ponte também tem esta lanchonete da foto acima, com algumas mesas de piquenique, que serve lanches na baguete para viagem bem gostosinhos. Pegamos dois e alguns chips para a volta no barco.
Além da vista, além da pizza, do sorvete, das lujinhas!, em Dumbo ainda tem... tchan-tchan-tchan-tchan!... o Jane's Carousel. Eu como jornalista deveria ter colocado esta informação no primeiro parágrafo, mas a-d-o-r-o suspense! Imagine um carrossel, coberto por uma caixa de vidro, no meio das duas pontes mais lindas de NY - Brooklyn e Manhattan.
Pode acreditar, o que menos se vê no carrossel é criança. Tem adolescente aos montes, casais de namorados, muita gente tentando um auto-retrato para postar nas redes sociais (viva o FB e o IG!) e muitos, muitos velhinhos. Dá gosto de ver!
O carrossel é de 1922, "nasceu" em Ohio e, depois de ser inteiramente restaurado, foi instalado nesta caixa de vidro linda em 2011. Nos dois dias que fomos ao Brooklyn, Lola passeou no carrossel três vezes. Mas, o mais curioso é que ela não ficava observando a paisagem, como nós (não, eu não cavalguei), mas na "bandinha" que toca no miolo do carrossel. Um sistema a manivela, literalmente, faz as cordas baterem o tambor e os outros instrumentos. Ela ficou fascinada. 
No primeiro dia de Brooklyn voltamos a pé pela ponte, com as duas crianças nos carrinhos, e foi uma delícia. Na segunda vez voltamos de barco mesmo. No barco, inclusive, é comum ver várias mães e seus carrinhos trambolhentos e também muita gente com bicicleta.
Do lado de lá do rio também tem outras surpresas, como este enquadramento do Empire State Building no vão da Manhattan Bridge. Vale muito a pena explorar!
* Para quem ama carrossel, como a Lola, dá uma relembrada neste em Paris, datado de 1879!
** Outra parada do East River Ferry é a Governors Island que, pelo que tenho lido, é o point do point dos descoladex. A ilha abre esporadicamente, é bom checar no site. Achei que não seria um passeio tão bacana com crianças e não fomos, principalmente porque no fim de semana que estivemos lá estava tendo um festival de música. Ao voltarmos de Dumbo ao píer 34 vimos que foi decisão mais do que acertada. A fila era quilométrica e o clima total de balada. Para quem está na vibe deve ser uma experiência bem divertida.