5 de mar. de 2011

Esfiha da Diva (e do Álvaro)

Teve um tempo que eu assistia diariamente a Ana Maria Braga. Total falta do que fazer, é verdade, mas eu era adolescente e adorava o Note & Anote, da Record. Me divertia com os penteados esdrúxulos da apresentadora e tinha adoração pelos salgadinhos do Álvaro. Lembram? Aquele culinarista careca simpático, que passava as tardes fazendo esfihas, bolinhos, pães... Por isso, quando a Diva foi fazer esfihas para o aniversário da Laurinha e me disse que a receita era do Álvaro, tirei a máquina da bolsa e comecei a fotografar. Estava certa, a esfiha é macia que só e o recheio de carne não fica duro, do tipo unidos venceremos. E, segundo ela, a receita é boa porque o Álvaro é um dos poucos professores que dão "o pulo do gato" da receita. Conta todos os truques. Portanto, eis a receita que tirei do caderninho da Diva, com todas as anotações e dicas.
Esfiha da Diva (e do Álvaro)
Rende 50 esfihas pequenas.
O que usar:
Para o recheio:
- 1/2 kg de carne moída (peça para o açougueiro moer patinho 2 vezes);
- 1 cebola grande;
- 2 tomates grandes sem sementes e com pele;
- 1 limão grande coado;
- sal;
- cheiro verde;

Como fazer:
Faça o recheio com, no mínimo, três horas de antecedência. Misture os ingredientes e deixe a carne em um escorredor de arroz ou macarrão. A carne irá soltar bastante água. Assim, o recheio fica soltinho, não grudado. Eis o primeiro truque da Diva.
Para a massa:
- 30 g de fermento de pão;
- 1 1/2 copo (requeijão) de água morna;
- 1 copo de óleo;
- 1 col. (sopa) de açúcar refinado;
- 1 col. (sopa) de sal;
- 700 g de farinha de trigo;

Como fazer:
Em uma tigela grande junte o fermento com o açúcar. Depois, coloque a água, o óleo, o sal e misture tudo com a mão. Coloque a farinha aos poucos. Quando a mistura estiver mais seca, retire a massa da tigela e a coloque na pia. Amasse bem a massa, coloque o restante da farinha fazendo movimento de vai e vem, "rasgando a massa". Quando a massa estiver bem macia, grudando ligeiramente nos dedos, ela está pronta. Não é preciso colocar mais farinha.
Assim que a massa estiver pronta, a divida e faça 50 bolinhas, mais ou menos iguais. As deixe na pia e comece a fazer a esfiha pela ordem. Mais um truque: "Assim todas as bolinhas crescerão igualmente. Dá tempo para a última bolinha crescer também", ensina Diva, que sempre usa o mesmo pires para modelar as esfihas.
Abra a massa em um pires, coloque o recheio de carne, junte os lados da massa e modele a esfiha. Coloque em uma assadeira, com a parte lisa para cima, e pincele com gema. Leve ao forno médio-alto pré-aquecido por cerca de 30 minutos. Pronto.
As esfihas da Diva são feitas em todos os aniversários da família. Em uma hora, sai do forno as esfihas mais macias de Tatuí e região. Vale a pena.

4 de mar. de 2011

BottaGallo

Não tive muito tempo para pensar na minha programação de 4 anos de casamento, em dezembro do ano passado. E a sugestão de uma amiga querida, foi bem aceita: jantar no Terraço Itália, local que eu e o marido nunca fomos. Uma noite glamurosa, para beber um vinho com São Paulo sob nossos pés. Perfeito e romântico. Mas foi aí que eu acessei o site do restaurante e comecei a ponderar a escolha, muito pelo cardápio: Faisão com creme de couve-flor e salsa de trufa; carpaccio de filet de bufalo; coelho ao balsâmico com risoto de ervilha... Peraí, isso é um cardápio ou um passeio ao zôo? Foi aí que me dei conta que não tenho a mínima vontade de comer faisão, que vinho tem me dado enxaqueca e que nem romântica eu sou!
E me lembrei também que eu tenho um blogue abandonadinho e que tinha que provar o que muita gente já provou e elogiou, o BottaGallo. Caramba, isso sim que é comemoração. Eu e o marido bebendo choppinhos dos bons, comendo bem e dando risada em um ambiente totalmente informal, essa é a minha. E o boteco do Gallo podia mesmo ser da minha família. Lá entra grupo de amigos, de amigas, casal jovem, casal de tiozão, senhorinhas e até bebês. O ambiente é uma delícia e, literalmente, tem madeira até no teto. Nas mesas, pilhas de pratos e guardanapos e um copo cheio de talheres, é cada um por si. Tem coisa mais lá em casa?
O BottaGallo foi considerado pela Vejinha a melhor comida de boteco, mas também poderia ter sido condecorado com o melhor atendimento. Os garçons são super atenciosos. O nosso foi o Renan, que nos atendeu super bem, nos indicou as melhores pedidas da casa e nos divertiu. Foi ele que nos deu a primeira dica, para começar peça a scarpetta de sugo alla carne rustica - que nada mais é do que aquele pão com molho que meu pai come em casa toda semana antes da macarronada, ou melhor, o buraco quente desestruturado. O melhor molho de tomate, com carne desfiada, bem temperado, servido com pãeszinhos para você ir chafurdando no molho. Por mim eu pedia mais 3 desses e parava por aí, mas tinha muito mais.
O bar tem pedigree, é bom lembrar, pois pertence aos mesmos donos do Astor, Pizzaria Bráz, Original e Pirajá. Nada mal. E a brincadeira da vez é bancar o italiano. O cardápio é todo escrito em italiano, com a mesma coerência de Tony Ramos em Passione. Uma diversão: Saladas per gli Sportisti; per due Sfomiatti, Beliscones... A nossa segunda pedida foi a linguiça com feijão branco, porçao para comer como um príncipe (há a porção para comer como um rei!). Mega bom também.
Há três pratos com ovos e o marido não se aguentou. Esse Uovo Guido parece cozido, mas tem gema molinha no meio. Outra opção que faz sucesso é o pastel de vento, que é de vento mesmo. O garçom traz os pastéis e o recheio, uma tábua de frios. As caipirinhas também são ótimas, provei a de frutas vermelhas. O melhor é que como as comidas são bem gordurosas, você nem fica de ressaca - eis ensinamento de Sebastiana Quebra-Galho que guardo na manga.
Mas para ajudar a se auto-glicosar, você também pode pedir essa mousse de chocolate incrível. De tão doce, nem consegui dar conta. Mas como eu estava em casa, nem me importei, pedi para o Renan embrulhar para viagem, incluindo as cerejinhas. Fui embora feliz da vida, segurando a sacolinha em uma mão - e a outra, trançada na mão do meu marido, que eu amo muito. Terraço Itália e seu faisão, por ora, no way!

* O BottaGallo fica na Rua Jesuíno Arruda, 520, no Itaim Bibi. Tel.: 11 3078-2858.

3 de mar. de 2011

Maria Mata Mouro, Salvador

Lá no Pelô, próximo ao Convento de São Francisco, fica o Maria Mata Mouro, um restaurante escondido, tranquilo, que vale a parada. A fachada do Maria Mata Mouro nem é lá chamativa e seu interior se assemelha com muitos outros restaurantes da região, com peças de antiquário espalhadas, ambiente escuro e jardim agradável nos fundos. Mas o cardápio fixado na porta, além da recomendação do Cuco, marido da Fran, fez com que eu e o marido entrássemos.
Nem precisei pensar, a minha pedida foi o badejo ao molho de gengibre, com legumes e torta de batata. Sem dúvida, um dos melhores peixes que comi nos últimos tempos. O molho com gengibre era bem suave e me fez lembrar o camarão com gengibre e maracujá, que postei no blog em 2007! O garçom me disse que a receita era segredo, mas deu algumas dicas dizendo que havia fruta sim no preparo, maracujá ou manga. O prato ficou super leve e delicado, até Lolinha aprovou.
Apesar da minha insistência para que o marido escolhesse o camarão com cardamomo (adoro fazer isso!), ele não se fez de vencido e foi na dele: peixe com cogumelos e alcaparras e também adorou. De sobremesa, Pacovan - biscoito de coco com banana da terra, com sorvete de creme e calda de tamarindo.
O Maria Mata Mouro, assim como o Mistura, entrou na minha lista de restaurantes incríveis de Salvador. Não que seja expert na cidade, mas na minha última estadia havia amado o Paraíso Tropical, que fica um pouco afastado, fora do circuito turístico. O famoso Amado ainda não conheço. Eu e Fran chegamos a conclusão que nossos pequenos não se adaptariam ao ambiente, que é a linha chiquezinha. Um lugar que já conhecíamos, mas que com certeza não voltaremos é o Yemanjá. O atendimento foi sofrível, indecente, para parar por aqui.

2 de mar. de 2011

Mistura, Salvador

Não precisou pesquisar muito para ir ao Mistura. O restaurante figura há alguns anos entre os melhores restaurantes de pescados de Salvador. Já em seu primeiro dia por lá, foi conferir a mariscada.
Eu cheguei no dia seguinte e a obriguei a repetir a dose. Já que era bom, era para lá que eu queria ir. O restaurante fica em Itapuã, bem perto de Stella Maris, onde estávamos hospedadas. São dois ambientes, um fechado, com ar condicionado fortíssimo, adega climatizada e aquário com lagostas e outro avarandado, bem ventilado. Nos colocaram na varanda, próximos à brinquedoteca, para evitar que nossos pequenos atormentassem demais as lagostas - e os adultos.
O Mistura, que começou como uma barraca de praia, pertence a um italiano, que conheceu uma brasileira e decidiu se especializar em moquecas. Na verdade, nem sei se essa é a grande especialidade dele, mas que a moqueca de camarão foi uma das melhores que nós comemos, isso foi. Olha a bela foto tirada pelo Tatu.
Há pratos à la carte e também um buffet "por quilo" bem variado, com lagostas, polvo, mariscos, camarões, peixe grelhado, etc. De sobremesa, peça a taça de mousse de chocolate com 3 chocolates: branco, meio-amargo e amargo. Glicose das boas.